Mamar nuvens
Se a nossa era alcançou um poder de destruição insondável, devemos promover uma revolução que crie um poder de criação insondável — um poder que fortaleça memórias, aguce sonhos, materialize imagens, dispense aos mortos o tratamento mais nobre e conceda ao efêmero uma leitura suntuosa de sua própria transparência, permitindo assim aos vivos uma passagem segura e fluida por esse reino de sombras; uma revolução que destrua esse acúmulo não por meio de energia volatilizada pelo diabo, mas por um cometa que perfure o próprio núcleo do bulbo raquidiano — um transmissor que abrange o tátil e o invisível — para que, após sete dias de imersão, possa-se saciar a fome enquanto se segura uma espiga de trigo e se chupa uma estalactite estelar como se fosse um doce: um ato conhecido nos rituais dos antigos chineses como "sugar o céu". [do livro Oppiano Licario; citado em Notre Musique, de Godard]